O Caminho para o Trono
Ester: A Manifestação do Domínio de Deus
O Caminho para o Trono
Passado algum tempo, quando a indignação de Xerxes já se havia aplacado, ele se lembrou de Vasti e do que ela havia feito, e do decreto que contra ela havia sido proclamado. Então os jovens que serviam o rei lhe sugeriram: “Procure o rei moças virgens e bonitas.” (Ester 2:1–2)
Assuero agira por impulso no caso de Vasti. Os meses de banquetes, o efeito do vinho e a insistência de seus conselheiros o impulsionaram para uma decisão que agora permanece fixa. Quando a reação se dissipa, ele se lembra do que aconteceu. A rainha se foi. Sua posição está vazia. A corte entende que tal vácuo não pode permanecer. Os atendentes do rei pensam de acordo com o ambiente do palácio. Eles propõem uma busca pelas províncias em busca de jovens mulheres que atendam às expectativas da corte. A sugestão surge naturalmente do costume persa. A beleza ocupa um lugar na imaginação imperial. A corte trata a aparência da rainha como um elemento de ordem política. Para eles, isso é uma questão administrativa. Eles buscam estabilidade por meio de procedimentos.
O rei aceita a proposta. Os comissários em todas as províncias recebem instruções para reunir moças que atendam aos padrões do harém. Essas mulheres serão levadas à cidadela, colocadas sob os cuidados de Hegai e preparadas de acordo com as práticas da corte. A busca se estende por toda a vasta extensão do império. A máquina administrativa, que outrora levou o decreto de Vasti a terras distantes, agora começa a se mover novamente. O plano parece simples para aqueles que o propõem. Eles não imaginam que essa decisão reformulará a corte de maneiras muito além de sua intenção. Eles apenas desejam restaurar a ordem dentro do palácio.
A história se volta do palácio para um homem que vive em Susa. Mardoqueu aparece sem introdução a poder ou posição. Sua ancestralidade remonta ao exílio que levou muitos judeus para a Babilônia. Ele cuida de sua parente mais jovem, Hadassa, conhecida como Ester. Ela perdeu pai e mãe e cresceu sob a guarda de Mardoqueu. Sua presença em Susa a coloca perto do centro da autoridade imperial, embora sua vida se mova pelas ruas comuns da cidade. Ela pertence a um povo disperso que viveu conquistas, deslocamentos e adaptações a um mundo estrangeiro. Nada em sua história inicial sugere uma ascensão rumo à proeminência real. Sua vida se move tranquilamente dentro da cidade até que eventos além de seu controle a arrastam para o palácio.
Quando o decreto chega a Susa, moças são reunidas para o rei. Ester está entre as que são levadas. O relato não a retrata como alguém que busca ascensão. Ela entra no harém porque os oficiais cumprem sua tarefa em todas as províncias. A reunião das mulheres se torna uma das maiores operações administrativas do livro. Os oficiais organizam, transportam e preparam aquelas que atendem às expectativas da corte. A escala reflete o alcance do império. As mulheres chegam de diferentes regiões, línguas e lares. Dentro do palácio, elas se tornam parte de um sistema moldado por costumes que operam com precisão e formalidade.
O harém funciona de acordo com regras que definem cada estágio de preparação. As mulheres recebem tratamentos por doze meses. Seis meses envolvem óleo de mirra. Seis meses envolvem especiarias e cosméticos. A corte considera tal preparação essencial. A apresentação perante o rei requer refinamento de acordo com padrões que nenhum lar poderia igualar. Cada mulher espera pelo seu momento designado. Quando chega a sua vez, ela tem permissão para levar o que desejar do harém. Ela vai até o rei à noite e retorna pela manhã para outra parte do palácio, sob os cuidados de Saasgaz. A partir daquele momento, ela permanece entre as concubinas, a menos que seja convocada novamente. O sistema molda cada mulher em uma apresentação de beleza definida pela corte. Todo o processo revela como o império entende o poder, a posse e a aparência.
Ester entra neste mundo e encontra favor imediatamente. Hegai responde a ela com atenção incomum. Ele lhe atribui os melhores cosméticos. Ele fornece atendentes da casa do rei. Ele a coloca na parte mais desejável do harém. O relato não explica as razões de sua preferência. A cena se desenrola com simplicidade. Hegai a vê, responde e direciona seu caminho dentro do ambiente controlado do palácio. Suas ações moldam seu progresso sem consciência de como esses momentos afetarão o futuro do reino. O palácio se move de acordo com seus costumes, e dentro desse movimento Ester avança.
Mordecai a instrui a ocultar sua identidade judaica. Ele entende a natureza imprevisível do domínio estrangeiro. Impérios celebram a beleza, o poder e a cerimônia, mas não se ancoram na justiça. A reação da corte à verdade inesperada pode ser severa quando os governantes operam a partir do orgulho ou do medo. Ester segue a instrução de Mordecai, assim como tem seguido sua orientação ao longo de toda a sua vida. Mordecai permanece próximo ao harém, caminhando cada dia perto da corte para saber como Ester está se saindo. Ele não ocupa uma posição de alta autoridade, mas sua presença perto do palácio o coloca ao alcance de informações e eventos que capítulos posteriores trarão à luz.
Os meses de preparação continuam. O palácio segue seu ritmo. As mulheres aguardam sua noite para entrar na presença do rei. Quando se aproxima a vez de Ester, ela se distingue não por ornamentos, mas por moderação. Ela pede apenas o que Hegai aconselha. Sua escolha reflete um caráter moldado pelo discernimento. Aqueles ao seu redor respondem com favor. O texto observa que ela encontra aprovação aos olhos de todos que a veem. Seu movimento pelo harém e para dentro do palácio segue um caminho formado por uma confiança serena, em vez de ambição. Ela entra na casa real no décimo mês do sétimo ano de Assuero.
A resposta do rei resolve a questão. Ele a prefere acima de todas as outras. Ele coloca a coroa sobre a cabeça dela e a estabelece como rainha. O evento transforma a posição outrora ocupada por Vasti. O império, alheio ao futuro, celebra com outro banquete. Assuero nomeia o banquete em honra de Ester. Ele estende generosidade às províncias por meio da remissão de impostos. Ele concede presentes para reforçar a boa vontade. A chegada de uma nova rainha torna-se uma ocasião pública que se estende além do palácio. A corte acredita que esse ato fortalece o reino. Os oficiais interpretam o anúncio como outro sinal de estabilidade. O povo nas províncias distantes recebe alívio que confirma a generosidade da coroa.
A mudança no palácio parece suave. Ester ascende de sua casa para a casa real por meio de uma sequência de eventos que ninguém ao seu redor questiona. O que parece à corte como mais uma virada dentro de seu sistema carrega um significado que eles não percebem. A presença de Ester no trono moldará o futuro de seu povo espalhado por todo o império. Cada detalhe de seu caminho se une para formar a posição que ela agora ocupa. A corte vê uma rainha escolhida por beleza e favor. O leitor vê mais do que aparência. O leitor vê como os eventos do primeiro capítulo criaram o espaço onde Ester agora se encontra.
A história retorna a Mardoqueu. Ele se senta à porta do rei. Essa posição indica que ele ocupa um cargo na administração, embora não entre os mais altos escalões. A porta se torna um lugar de atividade, julgamento e comunicação. Oficiais passam por ela. Guardas mantêm a ordem. O acesso à corte depende de sua supervisão. A presença de Mardoqueu ali o coloca ao alcance de ouvir conversas entre aqueles que guardam o limiar. Dois dos eunucos do rei, Bigtã e Teres, ficam irados e buscam prejudicar Assuero. O relato não revela o motivo deles. Ele registra a intenção deles e o momento em que Mardoqueu toma conhecimento.
Informações passam por canais frágeis dentro de qualquer administração. Uma única conversa ouvida no lugar errado pode alterar a direção dos eventos. Mardoqueu ouve o plano. Ele informa Ester. Ester relata o assunto ao rei em nome de Mardoqueu. A corte investiga, confirma a verdade e age. Os conspiradores são executados. O evento é escrito no livro das crônicas. A escrita de tais assuntos segue o costume persa. Reis mantinham registros de eventos que afetavam o reino. Essas crônicas preservavam decisões, atos e momentos julgados relevantes para a memória real.
O palácio logo esquece o assunto na prática. Mardoqueu não recebe nenhuma recompensa. Ester retorna à sua vida dentro da corte. Os oficiais prosseguem para outros assuntos. O registro permanece nas crônicas sem efeito imediato. Nada na cena parece dramático. A vida da corte continua. No entanto, o registro permanece. Um momento de vigilância, um relatório, uma execução e uma entrada nas crônicas criam um ponto que reaparecerá no desenrolar da história.
O relato absorve o leitor no mundo da ordem imperial. Procedimentos dominam o palácio. A beleza é refinada por meio de uma longa preparação. Conselheiros propõem soluções que se baseiam na maquinaria do império. Calendários moldam a apresentação das mulheres. O protocolo molda a vida diária da corte. O rei ouve conselheiros que refletem os valores do reino. Cada pessoa no palácio opera dentro das expectativas de seu papel. O sistema parece completo. Ele parece confiante em seus métodos.
Dentro desse sistema, Ester ascende por meio de um movimento natural. Sua ascensão não começa com ambição. Começa com um decreto emitido para satisfazer os desejos da corte. Seu progresso continua por meio da resposta de Hegai, da instrução silenciosa de Mardoqueu e dos padrões do palácio. Ela entra na presença do rei por meio de um processo moldado pelo império que ela não escolheu. Sua elevação torna-se um fato reconhecido em todas as províncias. O relato não oferece nenhum comentário sobre o significado desses eventos. Deixa ao leitor reconhecer como cada momento ocupa seu lugar na ordem da história.
O relato de Mardoqueu no portão introduz um fio que parece menor a princípio. A salvação da vida do rei parece merecer reconhecimento. A falta de atenção sinaliza algo sutil sobre a cultura da corte. O palácio se move rapidamente. A memória dentro da corte pode ser breve. A recompensa depende não apenas da ação, mas do momento oportuno. A façanha de Mardoqueu não desaparece. Ela espera nos anais para um momento em que o rei buscará os registros. A narrativa permite que esse momento repouse em silêncio, permitindo que o leitor absorva sua significância como parte de uma estrutura maior.
O movimento dos eventos revela um mundo que parece estável. O rei senta-se em seu trono. Ester detém a coroa. Mardoqueu está perto do portão. Os oficiais executam as rotinas de administração. No entanto, sob a estabilidade, há uma corrente subterrânea de conflito iminente. O futuro do povo de Ester ainda não está à vista. A ameaça não apareceu. O leitor percebe que esses eventos preparam o terreno para o que testará a paz do palácio. A ascensão de Ester, a vigilância de Mardoqueu e a presença das crônicas preparam o palco para movimentos que se desenrolarão na próxima sequência da história.
Essa seção ensina o leitor a observar os assuntos humanos dentro das estruturas do poder imperial. Ela mostra como decisões formadas dentro do palácio levam a resultados muito além da intenção. Ela apresenta personagens que agem dentro dos limites de seus papéis, mas moldam a direção da história. Ela exibe beleza, lealdade, ordem administrativa e vigilância sem anunciar sua importância futura. O relato permite que o leitor veja como pequenos eventos se conectam a padrões maiores. O mundo de Susa parece completo. Seus palácios, cortes, decretos e oficiais prosseguem pela vida diária sem consciência do que esses movimentos trarão.
Os eventos em Susã preparam o leitor para o conflito que se aproxima em breve. Ester permanece em seu lugar. Mardoqueu mantém sua posição. As crônicas dão testemunho silencioso. O império se move em seu ritmo. O palco está pronto para a entrada da figura cujas ações perturbarão a estabilidade da corte. Por enquanto, o relato repousa na progressão medida dos eventos, atraindo o leitor para um mundo ordenado por costumes humanos, necessidade política e os fios invisíveis que unem as ações de governantes e servos.
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