O Conselho do Areópago

Paulo e os Filósofos

O Conselho do Areópago

Eles o levaram a uma reunião do Areópago, onde lhe disseram: “Podemos saber que novo ensino é esse que você está anunciando? Você está nos apresentando algumas ideias estranhas, e queremos saber o que elas significam”. (Atos 17:19-20)

A comoção no mercado não foi o fim do assunto. As palavras de Paulo haviam atraído a atenção de homens que não se contentavam em deixá-lo na praça pública. Eles o agarraram e o levaram ao Areópago. A linguagem não é de cortesia, mas de compulsão. Ele foi levado, não convidado. Era o tipo de movimento que se esperava quando um homem acusado era conduzido perante um conselho. Embora Lucas não descreva correntes ou guardas, ele dá a impressão de que Paulo tinha pouca escolha no assunto. O que começou como um debate de rua agora se tornara um exame formal.

O Areópago era mais do que uma colina rochosa na periferia da cidade. Era o nome de um conselho que há muito exercia influência em Atenas. Em tempos anteriores, ele detinha amplos poderes sobre religião, moral e educação. Embora Roma tivesse reduzido sua autoridade, ele permanecia um órgão de prestígio, e comparecer perante ele era enfrentar os guardiões da cultura ateniense. A mera menção ao Areópago teria despertado memórias na mente dos leitores. Foi ali que Sócrates outrora fora condenado. A sombra daquele julgamento pairava sobre todos os julgamentos posteriores realizados lá. Quando Lucas coloca Paulo perante o mesmo conselho, ele evoca aquela história e enche a cena de ironia.

Sócrates foi acusado de introduzir novos deuses e de desencaminhar a juventude. Os atenienses o julgaram culpado, e sua morte tornou-se um dos atos mais famosos de sua cidade. Trazer Paulo ao mesmo conselho sob uma suspeita semelhante era recordar aquele precedente. Os atenienses não tratavam a novidade na religião como inofensiva. Seu passado mostrava que eles estavam dispostos a silenciar vozes que consideravam estranhas às suas tradições. Lucas traça essa conexão não para sugerir que Paulo era outro Sócrates, mas para estabelecer o contraste. Sócrates defendeu a filosofia como especulação humana. Paulo proclamou a revelação como verdade divina. Um morreu como vítima da arrogância de Atenas. O outro se posicionou como arauto de Deus para expor essa arrogância mais uma vez.

Os atenienses viam a mensagem de Paulo como estranha e perturbadora. Para eles, soava nova, e em sua cidade as novas reivindicações religiosas eram tratadas com suspeita. A novidade na filosofia os divertia, mas a novidade na religião os alarmava. Atenas gostava de se gabar de sabedoria, mas também guardava suas tradições com cuidado. As palavras de Paulo eram tratadas com cautela, como se carregassem o risco de perturbação. Quando o levaram ao Areópago, não foi um simples convite para falar, mas um sinal de que seu ensino estava sendo examinado e que ele mesmo estava sob escrutínio.

À superfície, Paulo parecia estar sendo julgado. Ele havia sido levado perante um tribunal. Suas palavras estavam sob exame, seu direito de falar era questionado. Os atenienses imaginavam que estavam no controle. Eles assumiam a postura de juízes, atribuindo a Paulo o papel de réu. Mas, por baixo da superfície, os papéis estavam invertidos. Atenas não havia convocado Paulo. Deus havia convocado Atenas. Os homens sentados como juízes eram, na verdade, aqueles que estavam condenados. Sua tentativa de colocar em julgamento o evangelho de Jesus Cristo apenas expunha sua ignorância. Eles levaram Paulo ao Areópago, mas Deus havia levado o Areópago à sua palavra.

A Revelação nunca é verdadeiramente a que é testada. Quando os homens colocam a palavra de Deus em julgamento, eles assumem uma posição que pertence somente a Deus. Eles reivindicam autoridade para julgar o que está além do seu alcance. É como se o finito pretendesse governar sobre o infinito. O ato em si é irracional. Os atenienses imaginavam-se competentes para avaliar a verdade eterna, mas suas perguntas revelavam sua cegueira. Chamar a revelação de Deus de “estranha” é confessar o próprio preconceito. Exigir que ela se explique perante tribunais humanos é confessar rebelião. Na própria indagação deles, exibem sua tolice.

Novamente e novamente Paulo foi colocado diante de conselhos e governantes. Ele apareceu como réu, mas nunca saiu condenado. O Sinédrio, governadores, reis e até representantes de César, nenhum conseguiu silenciá-lo. Cada julgamento tornou-se um púlpito. Cada tribunal tornou-se uma audiência. A própria tentativa de suprimir o evangelho garantiu sua proclamação mais ampla. Deus transforma todo palco hostil em uma plataforma para a sua palavra. Assim também em Atenas. O Areópago pensou que detinha poder sobre Paulo, mas na verdade havia sido arranjado como sua congregação.

Atenas se orgulhava de ser a capital intelectual do mundo. Sentar-se no Areópago era sentar-se como guardião da sabedoria. A ironia era que eles presumiam examinar a sabedoria em si. Paulo pregava Jesus Cristo, a sabedoria de Deus. Eles o colocaram em julgamento, mas, ao fazer isso, colocaram-se sob a luz que expunha sua tolice. O tribunal tornou-se teatro, mostrando a pretensão de homens que alegavam arbitrar a sabedoria enquanto eram cegos para sua fonte. Sua reivindicação de testar a revelação divina apenas magnificava sua falta de razão.

Os atenienses formularam suas perguntas na linguagem da indagação: “Gostaríamos de saber o que essas coisas significam.” A postura era de curiosidade de mente aberta. Mas as Escrituras a desmascaram. Ninguém permanece neutro perante Deus. Chamar a sua verdade de estranha já é opor-se a ela. O conselho assumiu uma posição de imparcialidade, mas por baixo dela havia suspeita e preconceito. A curiosidade era um manto para a hostilidade. A neutralidade era uma máscara para a rebelião. Sua exigência de avaliar a revelação como se ela precisasse do veredicto deles era, em si mesma, uma rejeição do Deus que fala.

A própria lógica da curiosidade deles revela isso. A curiosidade por si só não é uma virtude. Ela pode ser a fome inquieta de uma mente que se recusa a se submeter à verdade. Os atenienses queriam ouvir Paulo para pesar as palavras dele contra as próprias ideias deles. Tal indagação é corrupta desde o início, porque trata o evangelho de Jesus Cristo como uma opinião entre muitas. A busca genuína não nasce do impulso humano, mas da obra de Deus no coração. Onde Deus atrai um homem, a curiosidade se transforma em fome pela verdade. Onde Deus deixa um homem em sua cegueira, a curiosidade se torna uma máscara para a rebelião. As palavras do conselho foram um exemplo do último caso. Eles estavam dispostos a ouvir, mas apenas para se posicionarem como juízes. Nessa postura, a curiosidade se tornou incredulidade disfarçada.

Contudo, Deus governa mesmo quando enfrentamos suspeita e preconceito. Ele transforma toda tentativa de resistir ao evangelho em um palco para a sua proclamação. Esse padrão continua em todas as épocas. Órgãos intelectuais, instituições acadêmicas, elites culturais e tribunais de justiça ainda presumem sentar-se em julgamento sobre a fé cristã. Eles tratam o evangelho como um réu que deve justificar-se perante o seu ceticismo. Eles pesam a Escritura contra a filosofia, a ciência ou a cultura, como se a sabedoria humana fosse a medida. Mas a mesma ironia se desenrola. Ao se colocarem como juízes, eles apenas revelam a sua ignorância e maldade. Ao exigirem que a revelação prove a si mesma, eles expõem a sua própria estupidez. O Areópago tem muitas formas, mas a sua tolice permanece constante.

Não há necessidade de temer quando o evangelho é colocado sob escrutínio. A palavra de Deus nunca está verdadeiramente em julgamento. É o tribunal que está em julgamento. A igreja deve aprender a ver toda indagação hostil como um palco armado por Deus. Assim como Paulo se apresentou perante o Areópago não como réu, mas como arauto, os crentes devem se apresentar perante todo tribunal como mensageiros. A sabedoria de Deus não pode ser pesada pelo homem. Ela pesa o homem. Pregar Jesus Cristo é expor toda pretensão erguida contra a verdade de Deus.

A cena no Areópago é, portanto, mais do que uma nota histórica. Ela descreve como Deus governa sobre os confrontos de seu povo. Os atenienses pensavam que haviam capturado Paulo, mas foi Deus quem os havia capturado. O conselho pensava em julgar, mas ele mesmo estava sendo julgado. O cenário foi arranjado pela sabedoria divina para exibir a superioridade da revelação sobre a arrogância humana. O que parecia um julgamento era, na verdade, um sermão. O Areópago pensava em julgar, mas se tornou plateia. O tribunal que pensava em julgar a fé cristã logo seria confrontado com o Deus que fez o mundo, que governa todas as nações e que ordena a todos os homens em todos os lugares que se arrependam.

📖 Artigo original:

The Areopagus Council ↗