Uma Cidade Cheia de Ídolos

Paulo e os Filósofos

Uma Cidade Cheia de Ídolos

Enquanto Paulo os esperava em Atenas, ficou profundamente indignado ao ver que a cidade estava cheia de ídolos. Assim, discutia na sinagoga com judeus e com gregos tementes a Deus, bem como na praça principal, todos os dias, com aqueles que por ali se encontravam. (Atos 17:16–17)

Atenas era conhecida há séculos como a glória da Grécia. Sua fama se estendia muito além de suas fronteiras. A cidade era elogiada por seus filósofos, sua arte e sua arquitetura. Os visitantes falavam do Partenon, dos templos dedicados a incontáveis deuses e das estátuas que enchiam suas ruas. Cada canto de Atenas parecia apresentar algo esculpido, pintado ou construído para demonstrar a habilidade humana. Para muitos viajantes, isso era o auge da cultura, a coroa da civilização. Eles viam Atenas como o berço da sabedoria e o guardião da beleza.

Paulo, no entanto, olhou para a mesma cidade com olhos diferentes. Ele não viu um lugar digno de admiração. Ele viu uma cidade entregue a ídolos. Testemunhas antigas diziam que Atenas tinha mais deuses do que homens, e as evidências apoiavam essa afirmação. Toda rua estava repleta de santuários. Toda praça pública tinha estátuas de divindades. Templos dominavam o horizonte. As pessoas passavam por essas coisas como se fossem normais, como se a vida pudesse ser definida por uma devoção infinita a pedra e metal. O que os outros admiravam como conquista, Paulo reconhecia como rebelião.

Lucas nos conta que o espírito de Paulo ficou profundamente angustiado. Isso não era fraqueza. Ele não foi abalado pelo desespero. Sua reação era a força de uma mente alinhada com Deus. Era uma ira justa contra a desonra ao Criador e uma santa repulsa às mentiras que escravizavam os corações humanos. Ele reconhecia a idolatria como um insulto contra o céu. Ele olhou para Atenas e, em vez de deleite, foi provocado. Ele sabia que o único Deus verdadeiro se revelara, e que todo ídolo era uma negação dessa revelação. Sua angústia era o fogo da verdade aceso dentro dele, impelindo-o a confrontar as falsidades espalhadas diante de seus olhos.

Isso importa para a forma como entendemos a vida cristã. A visão da idolatria nunca é neutra. A falsa religião não é simplesmente uma questão de gosto ou tradição inofensiva. É um assalto à glória de Deus. A resposta correta não é admiração, tolerância ou diversão. A resposta correta é repulsa. Um cristão que admira um ídolo traiu a Deus. Caminhar por Atenas e chamar sua idolatria de “arte” teria sido blasfêmia. A reação de Paulo nos mostra que a verdadeira fé produz indignação santa, não apreciação.

Ele não permaneceu em silêncio. Ele não se afastou para manter a paz. A angústia levou diretamente à ação. Lucas nos diz que Paulo “arrazoava” tanto na sinagoga quanto na praça do mercado. Essa única palavra merece atenção. Arrazoar significa apresentar argumentos, opor a verdade à falsidade, persuadir e provar. Não significa contar histórias ou bajular a audiência. Não significa exibir habilidade retórica para admiração. Significa envolver-se em pensamento sério, trazer a palavra de Deus contra as mentiras dos homens e expor a fraqueza de todo sistema falso.

Paulo se envolveu em dois contextos. Primeiro, na sinagoga, onde judeus e gentios tementes a Deus se reuniam. Ali ele trabalhava com pessoas que tinham algum conhecimento das Escrituras. Ele lhes mostrava como as promessas de Deus apontavam para Cristo, como sua herança exigia fé em Jesus. Ele confrontava aqueles que resistiam e confirmava aqueles dispostos a crer. Segundo, ele ia ao mercado, o lugar da vida pública, do comércio e da troca de ideias. Ali ele encontrava quem quer que estivesse presente. Não era um público controlado. Era aberto e imprevisível, cheio de mercadores, filósofos e cidadãos comuns. Paulo falava a todos eles. Ele se recusava a manter a verdade confinada a espaços privados. Ele a levava ao coração da cidade.

Isso nos mostra a natureza do engajamento cristão. A verdade de Deus não pertence apenas aos cultos ou grupos de estudo. Ela pertence à praça pública. Ela deve ser ouvida nas escolas, nos locais de trabalho, nos mercados, nas casas e na mídia. Onde quer que os seres humanos falem, ali a palavra de Deus deve confrontá-los. Paulo lidava com judeus na sinagoga e com gentios no mercado, mostrando que nenhuma arena está fora dos limites. Deus é Senhor de tudo, e sua revelação reivindica todas as esferas da vida.

Observe a maneira pela qual Paulo lidou com seus ouvintes. Paulo não tentou construir pontes elogiando Atenas por sua sabedoria. Ele não começou com admiração por seus ídolos. Ele não fingiu que as filosofias da cidade eram inofensivas ou parcialmente verdadeiras. Ele viu a corrupção e a denunciou. Seu confronto foi adversarial por necessidade, porque a verdade não pode se unir às mentiras. A luz não pode compartilhar comunhão com as trevas. Para Paulo, a apologética não era uma troca educada de opiniões, mas um ato de confronto. Era pressionar a revelação no coração da incredulidade até que a falsidade fosse exposta.

Isso serve como uma repreensão a muitas abordagens modernas. Hoje, frequentemente ouvimos que os cristãos devem buscar o “bem” em outras religiões, ou admirar a “herança” da cultura pagã. Alguns teólogos falam como se filosofias falsas pudessem nos ensinar algo valioso. Mas o exemplo de Paulo não deixa espaço para esse compromisso. Ele não olhou para Atenas e disse: “Que rica tradição de pensamento”. Ele olhou e disse: “Uma cidade cheia de ídolos”. Seu espírito foi provocado porque cada ídolo era uma negação de Deus. Ele não ofereceu respeito onde Deus exigia condenação. Ele sentiu uma indignação santa, e confrontou as mentiras deles com a palavra de Deus.

A repulsa justa alimenta a convicção de um homem. Um cristão que admira ídolos não pode argumentar contra eles com integridade. A repulsa pela falsidade impulsiona o crente ao confronto. Disso ele raciocina com a verdade de Deus. A mente da fé utiliza lógica, argumentos e provas. Como Deus é a verdade, o cristão fala com autoridade. Isso não se trata de gritar mais alto ou insultar oponentes, embora isso às vezes seja apropriado. A incredulidade se destrói a si mesma quando pressionada pela verdade de Deus, enquanto a revelação permanece inabalável. Finalmente vem a proclamação do evangelho, como Paulo logo faria perante o Areópago, chamando todos os homens ao arrependimento e à fé.

Atenas orgulhava-se de sua cultura. Os atenienses consideravam-se herdeiros da sabedoria. Seus filósofos faziam perguntas sobre a natureza, o conhecimento e a virtude. Seus poetas enchiam o ar com palavras nobres. Seus templos erguiam-se altos, testemunhando sua devoção. Mas Paulo não via nada disso como glória. Ele via apenas ignorância e rebelião. Ele via um povo suprimindo a verdade de Deus e substituindo-a por imagens esculpidas e sistemas vazios. Ele empregava sua razão não para elogiar seus esforços, mas para expor seu erro.

O mundo de hoje elogia a cultura sem questionar o que ela adora. Negócios, ciência, moda, literatura e entretenimento são tratados como neutros ou admiráveis, independentemente da base sobre a qual se apoiam. Mas a cultura que rejeita Deus é depravação, tão certamente quanto Atenas o era. O cristão deve recusar-se a admirar o que Deus condena. Ele deve recusar-se a ser neutro onde Deus exige julgamento e condenação. Admirar os ídolos de hoje, sejam religiões falsas, filosofias seculares ou movimentos culturais, é trair Cristo.

O raciocínio de Paulo no mercado é especialmente impressionante. Ele não escolheu um público seguro. Ele entrou no lugar onde as ideias se chocavam abertamente, onde a cidade se reunia para negociar tanto bens quanto pensamentos. Ele não demonstrou medo de contradição ou zombaria. Ele pressionou a verdade de Deus no coração da vida pública. Isso nos ensina que o evangelho pertence a todos os lugares, mesmo onde é mais indesejado. Deixar a verdade em círculos privados é abandonar a cidade à escuridão. Os cristãos devem falar nas ruas, nas universidades, nos negócios e por meio de todas as formas de comunicação.

O exemplo de Paulo demonstra o que significa ser intelectualmente fiel. Crer em Deus é crer que ele é a Razão em si, que sua revelação é consistente, lógica e verdadeira. Raciocinar, então, é a fé em ação. Fé e razão não são opostas. Elas são dois lados da mesma coisa. A fé é o acordo racional com o que Deus revelou. A razão trabalha com a revelação de Deus para afirmar a verdade e confrontar as mentiras. Quando Paulo raciocinava com as pessoas, era sua fé em ação. Sua fé não era especulação humana, mas verdade divina expressa em argumento.

Antes de Paulo se dirigir formalmente aos filósofos, ele já demonstrou a postura que adotará. Ele não se impressiona com os ídolos deles nem com a sabedoria deles. Ele é impulsionado à indignação, compelido a raciocinar e pronto para proclamar. Sua abordagem é inteiramente adversarial, porque a revelação não pode se misturar com a falsidade. Isso define o tom para tudo o que se segue. A apologética não é um exercício opcional, mas um confronto necessário sempre que a falsidade aparece.

O cristão deve perguntar a si mesmo: eu respondo como Paulo? Quando vejo uma religião falsa, admiro-a como cultura, ou sinto indignação pela rebelião contra Deus? Quando enfrento a incredulidade, fico em silêncio, ou a confronto com razão e verdade? Quando vivo em um mundo cheio de ídolos, me acomodo, ou confronto? O exemplo de Paulo não permite compromisso. O caminho certo é sentir uma santa repulsa, raciocinar com convicção e proclamar Jesus Cristo como Senhor.

Atenas estava repleta de ídolos, e o espírito de Paulo se indignou. Nosso mundo está repleto de ídolos próprios, e a mesma resposta é exigida de nós. A fé leva ao confronto espiritual e intelectual. A repulsa à incredulidade não é um defeito de caráter. É o poder da verdade surgindo no coração, impulsionando o crente a falar. Os cristãos combatem as mentiras com as armas da revelação, raciocinando com os outros, chamando todos os homens ao arrependimento ao proclamar o evangelho de Jesus Cristo. Esse foi o exemplo de Paulo em Atenas, e permanece o modelo para a igreja hoje.

📖 Artigo original:

A City Full of Idols ↗