Ressurreição e Juízo
Paulo e os Filósofos
Ressurreição e Juízo
“Pois estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio do homem que designou. E deu prova disso a todos, ressuscitando-o dentre os mortos.” (Atos 17:31)
Atenas levou Paulo ao seu conselho e esperava avaliar sua doutrina. O Areópago estava acostumado a examinar ideias como se fossem espécimes sob sua lâmpada. As palavras de Paulo inverteram a direção do julgamento. Ele declarou que o próprio Deus havia convocado um tribunal, que a história está organizada em direção à sua conclusão, e que todo homem comparecerá perante o Juiz que Deus estabeleceu. Isso transformou a cena. Os filósofos haviam se imaginado como árbitros da verdade, mas Paulo anunciou que eles eram súditos de um tribunal maior que Atenas, maior que a Grécia e maior que a sabedoria humana. O Areópago tornou-se um símbolo da humanidade colocada sob o escrutínio divino.
Atenas tratava a reputação, a honra cívica e o pedigree filosófico como se eles pudessem decidir o que era verdadeiro. Um ensino ganhava aprovação se se adequasse às tradições e suposições da cidade. Paulo trabalhava a partir de outra medida. A verdade repousa no veredicto que Deus emitiu. Os debates de Atenas podiam continuar, mas seus julgamentos não tinham peso, porque Deus havia declarado o resultado. Sua palavra carrega autoridade como revelação, e a ressurreição de Cristo torna essa autoridade clara para todos, mostrando que Deus o designou como Juiz.
Paulo declarou que Deus “marcou um dia”. O tempo não é infinito, vagando por ciclos, e não é uma cadeia de acidentes. Ele é dirigido pelo decreto de Deus em direção a um fim determinado. A declaração de Paulo minou séculos de especulação. Os estoicos imaginavam um mundo se dissolvendo e se renovando em eras recorrentes. Os epicuristas falavam de eventos casuais surgindo dos movimentos aleatórios de átomos. Outros pensadores apelavam para um destino impessoal como se a necessidade pudesse governar sem propósito. O anúncio de Paulo despojou essas teorias de coerência. Um ciclo permanece infinito, nunca alcançando uma conclusão. O acaso não produz ordem, pois a aleatoriedade não tem princípio para garanti-la. Um destino cego emite comandos sem razão ou propósito. Nenhuma dessas explicações se sustenta como explicações racionais da história. Somente a revelação proporciona coerência, porque Deus é o autor da história com um início, um curso e um fim designado.
Paulo declarou que Deus “marcou um dia”. O tempo não era infinito, vagando por ciclos, e não era uma cadeia de acidentes. Ele era dirigido pelo decreto de Deus em direção a um fim determinado. A declaração de Paulo derrubou séculos de especulação. Os estoicos imaginavam um mundo se dissolvendo e se renovando em eras recorrentes. Os epicureus falavam de eventos casuais surgindo dos movimentos aleatórios de átomos. Outros apelavam para um destino impessoal, como se a necessidade pudesse governar sem razão. O anúncio de Paulo expôs as contradições em todas essas narrativas. O tempo cíclico apagava a singularidade de cada momento, enquanto sua própria afirmação dependia de identificar um momento distinto. O acaso atomístico negava a ordem, enquanto seus defensores dependiam da ordem ao apresentar sua teoria. O destino cego cancelava o pensamento racional, enquanto seus defensores empregavam o pensamento racional para afirmá-lo. Cada sistema destruía as próprias condições que sua reivindicação pressupunha. Somente a revelação fornece coerência, porque Deus é o autor da história com um início, um curso e um fim designado.
A especulação grega sobre o tempo vacila porque não consegue justificar nem a mudança nem a permanência. Se o mundo se repete infinitamente, então nenhum ato tem valor único, pois tudo retornará novamente sem conclusão. Se o mundo é apenas uma colisão casual de átomos, então a ordem é uma ilusão, pois a mesma aleatoriedade que a produziu pode dissolvê-la a qualquer momento. Se o mundo é regido pelo destino, então a necessidade carece de explicação, pois governa sem mente ou propósito. Esses esquemas são autodestrutivos porque minam o próprio pensamento que os concebe. Uma filosofia que explica o significado como algo inexistente também se explica a si mesma como inexistente, pois o raciocínio se torna sem sentido se a história não puder assegurar o significado. Somente a revelação assegura tanto o pensamento quanto a vida, pois fundamenta a história no decreto de um Deus racional que declara sua direção e fim.
A certeza de um dia fixo dá à história o seu fundamento. Se esse dia for negado, os eventos não podem ser colocados em ordem ou medidos dentro de um todo, e a própria ideia de história se desfaz. A filosofia que rejeita o dia cai no arbítrio, porque a preferência e o costume não podem dar a universalidade que alegam. Se o dia for afirmado, todo ato fica sob o tribunal que Deus declarou. Isso é uma questão de lógica, não de psicologia. Quando a história é despojada de seu fim designado, as palavras verdade, dever e justiça se desintegram, pois elas já pressupõem uma medida final. Quando o fim que Deus estabeleceu é recebido, essas mesmas palavras assumem o seu sentido apropriado. A Revelação dá esse fundamento ao anunciar o dia e nomear o Juiz.
Aquele dia se estende a todo o mundo. Paulo não descreveu um julgamento limitado a Israel ou a Atenas, mas a todas as nações e a todos os indivíduos. Os atenienses haviam se exaltado com mitos de auto-origem, alegando um nascimento mais nobre do que o de outros povos. Paulo desmantelou tais presunções ao declarar que todo homem, de toda nação, será convocado perante o mesmo tribunal. O grego, o romano e o chamado bárbaro estão juntos sob um mesmo padrão. O filósofo e o trabalhador, o governante e o súdito, o escravo e o livre são igualmente responsáveis. Essa universalidade demonstra a soberania de Deus sobre a humanidade. Nenhuma cultura está fora de sua jurisdição, e nenhum homem está isento de seu escrutínio.
O julgamento universal decorre da revelação por uma questão de necessidade. A justiça, por definição, requer medida igual, e qualquer isenção destrói o próprio conceito que alega sustentar. Uma nação não pode ser desculpada sem transformar a justiça em favoritismo. Uma classe não pode escapar sem transformar a moralidade em privilégio. A justiça ou alcança a todos, ou deixa de ser justiça. A revelação assegura essa universalidade ao declarar que todo homem está diante do mesmo tribunal. Atenas, que se gloriava em sua cultura, estava sob o mesmo padrão que os povos que desprezava.
O padrão desse julgamento é a própria justiça. Os tribunais humanos frequentemente fingem entregar justiça, mas são corrompidos pela ignorância, pelo preconceito ou pela ambição. Atenas havia condenado homens inocentes, honrado falsos deuses e desculpado perversões da verdade. Filósofos falavam da justiça como um ideal, mas sem revelação eles não podiam defini-la com coerência. Alguns a reduziam ao poder, outros ao costume, outros a uma forma indefinida. Paulo afirmava que a justiça divina é perfeita e imutável, pois reflete a própria natureza de Deus. Se a justiça é real, então deve ser absoluta, porque a justiça relativa deixa de ser justiça. E se é absoluta, deve proceder de uma fonte absoluta. A convenção humana não pode fornecer essa fonte, mas Deus, que é a verdade, a fornece.
O Juiz que Deus designou é Jesus Cristo. Deus é plenamente capaz de julgar como Deus, no entanto, ele decretou que o julgamento seria executado por meio do Filho que se tornou homem. Isso coloca o julgamento nas mãos daquele que os homens encontraram na história, aquele que eles rejeitaram e crucificaram, e aquele que Deus vindicou ao ressuscitá-lo dos mortos. A humanidade de Cristo liga o julgamento diretamente à história humana, e sua divindade garante autoridade sem limites. Nele, o papel de Juiz é tanto perfeitamente revelado quanto inabalável, pois aquele que compartilha nossa natureza é também o eterno Filho de Deus.
A ressurreição serve como prova dessa nomeação. Deus ressuscitou Jesus do túmulo, e ao fazer isso forneceu evidência pública para todos os homens. A ressurreição não foi uma visão privada ou um símbolo, mas um ato histórico que derrubou o fundamento da convicção grega. O próprio Areópago baseava-se no ditado de Apolo de que os mortos permanecem embaixo, para nunca se levantarem. Paulo declarou o oposto aos ouvidos deles: Cristo ressuscitou. Deus realizou em Jesus Cristo o que os deuses gregos nunca puderam. Essa prova assegura o julgamento, porque demonstra o poder de Deus sobre a morte e afirma Cristo como Juiz. Nenhuma outra figura ressuscitou. Nenhum outro pretendente foi vindicado por Deus dessa maneira. A ressurreição é, portanto, a assinatura de Deus, declarando que Jesus Cristo é Senhor e Juiz de todos.
Toda alternativa se desintegra sob exame. Aqueles que negam tanto a ressurreição quanto o julgamento esvaziam a justiça e a moralidade de significado, mas continuam a viver e falar como se elas perdurassem. Os epicuristas insistiam que a morte encerra tudo, mas elogiavam a moderação e a amizade. Sua prática contradizia sua teoria. Aqueles que afirmam o julgamento mas negam a ressurreição reduzem o julgamento a uma abstração, pois separam a justiça do mundo onde as ações são realizadas. Aqueles que afirmam a imortalidade mas negam o julgamento despojam a existência de ordem moral, transformando a sobrevivência em futilidade. Cada variação se opõe a si mesma ou se dissolve em confusão. Somente a ressurreição de Cristo fornece um relato consistente e completo do julgamento.
A necessidade da ressurreição pode ser enfatizada ainda mais. Todo sistema de lei assume a continuidade da identidade: a mesma pessoa que comete um ato deve ser a que responde por ele. A justiça humana desmorona sem esse princípio, e a justiça divina o exibe em perfeição. Se a morte dissolvesse o homem além do reconhecimento, então o sujeito do julgamento desapareceria. Mas Deus restaura o homem inteiro, corpo e alma, para que aquele que viveu na história seja o que é convocado para prestar contas. A ressurreição assegura essa coerência entre vida e julgamento, e Deus forneceu a ressurreição de Cristo como prova de que nele a identidade, a continuidade e a justiça são preservadas.
O Areópago existia como um símbolo de sabedoria e julgamento, situado dentro de uma cultura que negava a ressurreição. A declaração de Paulo derrubou as suposições que sustentavam o raciocínio deles. O conselho que julgava os outros se viu julgado. Os homens que se orgulhavam de sua sabedoria foram mostrados como cegos. Atenas representava o pensamento humano sem Deus, e em um momento o ápice desse pensamento foi reduzido à ignorância. Deus arranjou a cena para que sua revelação confrontasse a filosofia em seu auge, e nesse confronto mostrasse que toda sabedoria à parte de Cristo é vaidade.
O pensamento moderno mantém as mesmas contradições que a antiga Atenas. O secularismo nega a ressurreição e o julgamento, mas continua a apelar para a verdade, a justiça e a moralidade. Os cientistas declaram a morte como final, mas falam de responsabilidade na pesquisa. Os educadores reduzem o pensamento à química, mas chamam os alunos à razão. Os políticos fundamentam a lei na preferência humana, mas apelam para direitos como se fossem universais. Os homens vivem como se o julgamento existisse, enquanto suas teorias negam sua base. A ressurreição de Cristo confronta a incredulidade moderna. Deus agiu na história, e seu ato é o fundamento racional para a verdade, a moralidade e a justiça. A incoerência do secularismo é tão profunda quanto a de Atenas, e o evangelho do Cristo ressuscitado ainda é a resposta.
A fé cristã exclui todos os outros sistemas. Outras religiões tentam oferecer relatos de vida após a morte ou ciclos de existência, mas nenhuma fornece uma união coerente de ressurreição e julgamento. O Islã imagina um julgamento, mas seu profeta não ressuscitou. O hinduísmo oferece ciclos, mas nenhuma justiça para o homem inteiro. O budismo dissolve o eu, eliminando o sujeito do julgamento. O humanismo secular reduz o homem a pó, apagando o julgamento inteiramente. Somente o cristianismo proclama um Juiz que é tanto homem quanto Deus, crucificado e ressuscitado, designado por decreto divino e vindicado pela ressurreição. Todo outro sistema cai em incoerência mesmo quando eles tomam emprestado da revelação bíblica.
A exclusividade de Cristo também garante a universalidade da verdade. Se mais de um padrão existisse, então a verdade em si se dividiria, e a contradição se tornaria o absoluto. O islamismo, o hinduísmo, o budismo e o secularismo propõem relatos rivais, mas nenhum deles fornece tanto a ressurreição quanto o julgamento em uma união coerente. Se qualquer um deles fosse verdadeiro, a razão em si se fragmentaria, pois o destino humano estaria sujeito a resultados incompatíveis. Mas a razão exige unidade e não pode aceitar a contradição como final. O cristianismo sozinho fornece essa unidade ao ancorar o julgamento em uma única figura cuja autoridade repousa em uma ressurreição histórica. Cristo é tanto homem quanto Deus, e seu julgamento se aplica a todo homem sem exceção. Sua ressurreição é um fato da história, e é declarada a todos os homens sem distinção, prenunciando também a ressurreição deles próprios. Essa universalidade é também o motivo pelo qual a exclusividade é a única possibilidade racional: um Juiz, um padrão, um fim para todos.
A lógica chega à sua conclusão. Deus ressuscitou Cristo, portanto o julgamento está fixado. Deus designou Cristo, portanto o julgamento é universal. Deus marcou um dia, portanto a história tem significado e direção. Todo homem, filósofo ou trabalhador, governante ou súdito, comparecerá perante o Cristo ressuscitado. Atenas pensou que julgava Paulo, mas Paulo anunciou que Cristo julgará Atenas. A mesma verdade vale para todas as épocas. A história não é uma discussão interminável, mas avança em direção a um dia determinado, o dia que pertence a Jesus Cristo, o Juiz de toda a terra.
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