Eleição e Reprovação
Paulo e os Filósofos
Eleição e Reprovação
Quando ouviram sobre a ressurreição dos mortos, alguns deles zombavam, mas outros disseram: “A esse respeito nós o ouviremos outra vez”. Com isso, Paulo retirou-se do meio deles. Alguns homens juntaram-se a ele e creram. Entre eles estava Dionísio, membro do Areópago, e também uma mulher chamada Dámaris e outros mais. (Atos 17:32–34)
O discurso de Paulo em Atenas atingiu seu ponto mais agudo quando ele anunciou que Deus designou um dia de julgamento e o confirmou ao ressuscitar Jesus dentre os mortos. Os filósofos ouviram a discussão sobre a criação, a providência e o mandamento divino, mas a ressurreição foi o obstáculo decisivo. O anúncio de um homem ressuscitado designado como Juiz confrontou toda a sua maneira de pensar. Se os pontos anteriores eram mal toleráveis, a certeza da ação divina na história os sobrecarregou. Nesse ponto, suas respostas se dividiram. Alguns zombaram, alguns adiaram, mas alguns creram. Esse foi um momento pivotal para eles. Isso demonstrou o efeito da revelação divina. Quando a palavra de Deus é declarada, ela divide a humanidade. Ninguém permanece neutro.
Alguns zombaram. Sua reação foi instintiva. Eles não tinham argumento nem contra-argumento. Simplesmente descartaram a ressurreição como tolice. Isso veio da rebelião e de seu preconceito irracional. Quando a mente recusa a revelação de Deus, não tem escolha senão zombar, porque perdeu a base para o debate racional. Zombar da verdade é uma admissão de derrota. Esses homens se condenaram com suas próprias bocas. Deus lhes havia apresentado uma mensagem ancorada na história e garantida pelo poder divino, e eles responderam com desprezo. Sua risada ecoou o julgamento contra eles.
O escárnio não é uma posição intelectual. É uma retirada. Ele revela que a incredulidade, quando forçada a confrontar o Cristo ressuscitado, não consegue manter sua posição. A ressurreição despedaça toda cosmovisão alternativa. Se Deus ressuscitou Jesus dos mortos, então a especulação pagã desmorona, a autonomia humana desaparece e a autoridade de Cristo permanece além de qualquer apelo. Os zombadores perceberam isso e escolheram o ridículo. Sua reação era irracional, mas não era acidental. Deus havia determinado que eles tropeçassem nessa pedra. Seu escárnio era uma revelação de sua reprovação.
O ridículo tem sido uma arma da incredulidade em todas as épocas. Quando os argumentos falham, os homens recorrem à zombaria. Essa é a tática daqueles que não conseguem raciocinar, mas ainda desejam resistir. Os filósofos de Atenas riram de Paulo como se sua risada pudesse desfazer a realidade. Os zombadores modernos os imitam. As salas de aula das universidades seculares descartam a ressurreição com o mesmo escárnio, não por demonstração racional, mas por suposição arrogante. O ateu da internet repete o mesmo padrão, substituindo insultos por pensamento. Esse tipo de zombaria finge ser inteligente, mas na verdade é covardia. É uma máscara que esconde o medo da verdade, pois se a ressurreição for real, todo o seu sistema desmorona. O escárnio é sua única fuga, embora seja uma fuga para o julgamento.
Isso não significa que a zombaria seja sempre errada. O crente tem todo o direito de escarnecer da incredulidade enquanto vence o argumento. A própria Escritura usa o ridículo ao expor os ídolos como fraudes. Elias zombou dos profetas de Baal ao mostrar que o deus deles era impotente. Os salmos riem dos ídolos mudos das nações. Paulo ridicularizou aqueles que tentavam distorcer o evangelho. Em cada caso, o escárnio veio com a vitória da verdade. O escárnio é inútil quando tenta substituir o argumento, mas é apropriado quando coroa o argumento. Escarnecer de Cristo é rebelião, mas escarnecer da incredulidade é obediência.
Outros tomaram um caminho diferente. Eles não riram, mas também não creram. Disseram que queriam ouvir Paulo novamente. Essa resposta é mais sutil. Ela dá uma aparência de abertura, talvez até de humildade. Eles reconheceram que o que Paulo disse merecia mais reflexão. Não foram ousados o suficiente para zombar, mas não estavam prontos para se curvar. Nessa hesitação, vemos o perigo da procrastinação. Deus ordena o arrependimento agora. Adiar é desobedecer. O evangelho nunca é uma sugestão para revisão futura, mas uma convocação para submissão imediata.
A demora pode endurecer em incredulidade. Um homem que ouve a verdade e a deixa de lado até amanhã pode descobrir que o amanhã nunca chega. Seu coração pode esfriar enquanto ele imagina que ainda está buscando. Os filósofos que pediram para ouvir Paulo novamente poderiam ter sido levados pela morte, ou pelo menos pela distração, antes de vê-lo novamente. Sua hesitação os colocou em perigo. Nenhum homem pode barganhar com Deus escolhendo seu próprio momento para se arrepender. O mandamento de Deus é presente, não adiado.
A procrastinação muitas vezes parece mais segura ao homem do que a rejeição direta. Ela permite que ele se lisonjeie como pensativo, cauteloso ou até mesmo de mente aberta. Mas a procrastinação ainda é recusa, e ela adiciona à culpa porque admite o conhecimento da verdade enquanto recusa a submissão. Quanto mais um homem procrastina, maior é sua responsabilidade, pois cada adiamento multiplica a luz que ele resiste.
Ainda assim, o atraso não é o mesmo que zombaria. Alguns que hesitam são posteriormente levados à fé. Seu adiamento é perigoso, mas pode fazer parte do processo pelo qual Deus os conduz à crença. Um homem pode resistir no início, mas Deus o converte mais tarde e o traz a Cristo. Isso aconteceu com o próprio Paulo, que outrora se enfurecia contra o evangelho antes que o Senhor o derrubasse e abrisse seus olhos. O atraso é ambíguo. Ele não garante a salvação, mas não significa necessariamente condenação. A linha entre eleitos e réprobos não é revelada no momento das decisões humanas, mas no decreto eterno de Deus. Os atenienses que atrasaram estavam suspensos nessa tensão. Sua hesitação era um pecado, mas Deus poderia ter escolhido perdoar e superá-lo em alguns deles.
Então, houve aqueles que creram. Lucas registra seus nomes. Dionísio, um membro do Areópago, creu. Isso foi notável. Paulo havia enfrentado o principal conselho da cidade, um corpo que se orgulhava de seu julgamento intelectual, e um dos seus próprios foi convertido. A palavra de Deus não pode ser bloqueada por instituições humanas. Mesmo na cidadela da especulação pagã, Deus reivindicou seu eleito. Dionísio havia se sentado entre aqueles que pensavam ser juízes da verdade, mas Deus o reivindicou como seu.
Lucas também menciona uma mulher chamada Dámaris. Sabemos pouco mais sobre ela, mas a menção em si é significativa. Em Atenas, as mulheres raramente eram nomeadas em tais relatos. Ao incluí-la, Lucas mostra que a eleição transcende as fronteiras humanas. O evangelho alcançou tanto o membro do conselho quanto a mulher, tanto a elite nomeada quanto a testemunha inesperada. O poder que ressuscitou Jesus dos mortos ressuscita homens e mulheres da incredulidade sem levar em conta o status. Juntamente com Dionísio e Dámaris, havia outros, sem nome, mas não menos escolhidos. A igreja em Atenas começou com essa pequena companhia.
As pessoas que creram não eram necessariamente mais inclinadas a crer por intelecto ou temperamento do que aquelas que zombaram ou adiaram. Elas creram porque Deus abriu seus corações. A vontade de Deus na eleição, não a escolha humana, explica a diferença. A mesma mensagem pareceu tolice para alguns, deixou outros vacilantes, mas produziu fé nos escolhidos. O evangelho é um, mas os efeitos são muitos, porque Deus determina o resultado.
Lucas registrou essas conversões para que a igreja primitiva pudesse lembrar que mesmo no Areópago, Deus foi vitorioso. Para os crentes posteriores em Atenas, o testemunho de Dionísio e Damaris teria sido uma fonte de força. Sua fé provou que o evangelho não está confinado à Galileia ou a Jerusalém, mas alcança os salões mais orgulhosos da filosofia. Mesmo um convertido no Areópago demonstra que a palavra de Deus não volta vazia. Um único nome escrito no livro da vida supera o desprezo de uma multidão. A fé pode parecer pequena aos olhos humanos, mas é de valor infinito, pois revela a mão de Deus em ação.
O mesmo sermão que converte um homem leva outro a zombar. A mesma mensagem que amolece um coração endurece outro. Alguns escutam, vacilam e adiam, e sua hesitação pode levar tanto à fé eventual quanto à ruína final. O padrão se repete ao longo dos séculos. A apologética cristã não é medida pela aprovação pública ou pela aceitação cultural. A tarefa é pregar Jesus Cristo e oferecer uma defesa racional e uma vindicação da mensagem. Os resultados pertencem a Deus.
Paulo deixou o Conselho sem persuadir a maioria. Ele não ganhou aplausos nem venceu uma votação. Pelos padrões do mundo, sua missão em Atenas pode ter parecido ineficaz. Os filósofos zombaram, os curiosos adiaram, e apenas um punhado creu. Mas, no plano de Deus, isso foi vitória. Os zombadores foram confirmados em sua reprovação, os adiadores foram colocados sob maior obrigação, e os escolhidos foram salvos. A palavra de Deus cumpriu o seu propósito.
O sucesso na apologética não é primeiramente sobre números. É sobre a verdade. Se o evangelho endurece os réprobos e salva os escolhidos, então ele obteve sucesso. Paulo não diluiu sua mensagem para agradar a audiência. Ele falou sobre criação, providência, julgamento e ressurreição, e deixou os resultados com Deus. Seu discurso serve como modelo para nós. Somos chamados a vencer debates pela sabedoria e razão de Deus, e a pregar o evangelho com confiança. Sempre vença. Mas vencer não garante conversão, porque os pecadores são irracionais, e muitos pecadores são réprobos. Eles nunca serão convertidos, e queimarão no inferno.
A cena do Areópago termina com uma imagem da humanidade dividida. De um lado estão aqueles que zombam, rejeitando a razão e selando sua condenação. De outro lado estão aqueles que adiam, vacilando à beira da verdade, em perigo de perecer, a menos que Deus intervenha. E do lado final estão aqueles que creem, atraídos pela graça divina para a vida. A mesma palavra de ressurreição produz todos os três resultados. Essas reações ilustram a natureza de dois gumes do evangelho. Ele nunca deixa uma pessoa a mesma. É vida para alguns e morte para outros, salvação e juízo vêm da mesma mensagem.
Este momento encerra o registro de Paulo em Atenas. Ele não deixou para trás um grande séquito, mas deixou para trás a semente de uma igreja. Ele deixou para trás o testemunho de que nem mesmo a filosofia pagã poderia suprimir o Deus da fé cristã. E deixou para trás o testemunho de que a ressurreição de Jesus permanece inabalável diante do ridículo, da hesitação ou da incredulidade. Os filósofos vieram para julgar, mas Deus os julgou pelo evangelho em vez disso. Os poucos que creram foram as primícias da colheita de Deus em Atenas.
A apologética cristã hoje deve lembrar-se desse padrão. O sucesso não é quando a multidão aplaude, mas quando a verdade de Deus é proclamada. Se alguns riem, a palavra os julgou. Se alguns hesitam, a palavra os inquietou. Se alguns creem, a palavra os salvou. Este é o legado de Paulo em Atenas. É também o legado de todo testemunho fiel que se posiciona diante da incredulidade e proclama a ressurreição de Jesus sem concessões.
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